domingo, 15 de janeiro de 2012

Pedaço da razão

Distantes das vontades tão simples,
a severa lucidez das duras sombras,
das incompreensões desumanas,
consultórios inquisitórios da mente.

Entrementes, a defesa apática e omissa,
abdicada da ironia cruel terapêutica,
princípios ativos da não discussão,
perene e vulnerável a divina luz.

Anjos-demônios de togas brancas,
paramentados de obscuras razões,
as sentenças injustas e peremptórias,
das perpétuas moléstias dos remorsos.

E veementemente a apelação vencida,
no movimento andante, ouçamos Bach...
Onde a condição humanista resiste,
em nossos ouvidos que olvidam o óbvio.

Distante das vontades tão simples
e encarcerado em celas da alienação,
eu que sou um doente sem cura?
Quero apenas um pedaço da razão.

André Bianc

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