terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A vela e a fome

Da irresponsabilidade textual,
eis o debate, ironias efervescentes,
depois a solidão, ânsias do abismo,
insubsistente alusão ao criador.

Foi-se o tempo da metáfora vadia,
a crença de nada querer apenas crer,
detonada na angustia desnecessária
e nas mentiras verdadeiras que somos.

Embalados nos berços vagos do mundo,
todos os sonhos ingênuos e primitivos,
pelas manhãs (sãs?) estarão urinadas,
as roupas íntimas das conclusões.

E todo o drama, estampado na toalha,
sudário de uma fome virtual e desejada,
viciada pelo ópio dos sentimentos vãos.
Quero apenas uma vela sem pavio.

André Bianc

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