segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Amanhã não terei a resposta


Muito além de toda a experiência
Estarão as vertigens do coração
Num esforço ímpar do fiel juízo
E nos receios da alma assombrada.

Pelos caminhos estreitos e racionais
Da oca amplidão da solitária angustia
Que balbucia suas vãs palavras mudas
Negando suas paixões sentenciadas.

E este débil e atrofiado sentimento
Rigorosamente muito mal traduzido
Refletindo nos combalidos corações
Em espelhos ansiosos e equivocados.

E por fim, toda a inútil reformulação
Escrita num movimento malabarista
Equilibrando as nossas não vivências.
Na sala dorme um aquário de desejos.

(André Bianc)

Existe alguém a minha espera.


Foi um tempo vário de horas insanas
Quando só carnalmente sentia os dias
Que volvia metricamente as amplitudes
As frivolidades dos efêmeros desejos.

Agarrado na total libertação do moral
E na verossímil impecável da incerteza
Em frágeis ilusões ofertadas pelo mundo
Mensageiras cruéis de notícias amargas.

E no processo humano cego dos impulsos
Que antecedia os remorsos premeditados
Como alguém que encomendava a morte
De tantos estranhos inquilinos da alma.

E eu que, era o sábio de complexas nulidades
Desprezando as pretensões e o futuro
Até que descobri que meu coração é infinito.
Amor repouse as suas mãos em meu peito.

(André Bianc)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Depois da razão, a ferrugem.


Seccionado do mundo pouco convencional
Recusamos toda a face externa dicotômica
Que pouco ou quase nada sempre emudece
A larga comunicação contemporânea vaga.

Por definições equivocadas dos argumentos
Nasce a cruel ação que fere nosso interior
Ao lado extremo e áspero das coisas poucas
E nos vãos discursos inócuos e esgotados.

Poderíamos insistir nesse existir que reage
As provocações que permeiam realidades
Caracterizando os distintos homens iguais
Acumuladores de vãs justificativas frágeis.

E esvai-se o contato primário que esconde
O amor, tema este, maior que o próprio ser
Protagonista fantasma e muito mal encenado.
Desconfiado, enferrujo meu próprio tempo.

Monólogo monocórdico


Independente da distensão visionária
E dos pormenores da nossa existência
Está o sacrifício insano do lúcido desatino
Na dialética das claras e ocultas intenções.
Assim obtemos a desfocada imagem
Dos nossos passos sempre repetidos
Num vaivém de ilusões antagônicas
Nas invenções de estúpidos motivos.
E subjugados a nossa própria história
De misérias espetaculares e conformismos
Acerca de glórias vãs e falências patéticas
Num cenário convencional de surpresas.
Mas qualquer conjectura ou decifração
Sobre a vida, o amor e o tempo perverso,
Estará intrínseca no âmago obtuso do poder.
Na cama um doce convite ao suicídio.

Não falemos disso.

As certezas inúteis das compreensões
Acumuladas no íntimo dos subjetivos
São estranhezas e desconsolos da alma
Nas Interpretações que ora acreditamos.
Talvez um sonhador, o exato homem?
Desanimado em seu ócio imaginativo
E refratário as raras vagas possibilidades
Das perdidas pátrias exiladas do apenas ser.
Vira-se então, mais uma página rasgada
De uma vida, obra mal acabada e guardada
Qual um segredo vulnerável e adormecido
Nos porões das angustias ansiosas do amor.
E vai o sonhador, o exato homem?
Demolir o seu palco no extasiado leito
Com suas convicções inexatas e precárias.
Ouço alguém me chamando aqui dentro.