sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Londres, 17:00 horas.

Sem nenhum propósito, bato nas portas,
das intelecções tradutórias do pensar,
na hipótese cerebral do meu silêncio,
persuasivo refém do vão proselitismo.

Obsoleto provocador da não-expressão,
inibidor dos indolores caóticos versos,
está o teorema do racionalismo bruto,
extraído do conhecimento débil-relativo.

E o fascínio que exerce nossas ignorâncias,
na busca invisível da facínora estrutura,
que oprime a pueril e pré-natal postulação,
no tangível eixo inexato dos conceitos.

Ao fim, apenas o cadáver do exercício,
subjugado a severa servidão vocabular
e sentinela ausente dos sentidos.
Irei à biblioteca para tomar um chá.

André Bianc

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Extravio

Das palavras de pedras tão doloridas,
doenças e crenças sem diagnósticos,
habita a perfídia, exata conjugação,
na dureza das certezas de uma vida.

Desejos, memórias, sonhos, onde estão?
O amargo beijo dos amantes poetas,
nas presciências das nossas ignorâncias,
independente da dignidade que apresenta.

As imobilidades mórbidas e periféricas,
no plano do realismo histórico dos remorsos,
marcado a fogo, símbolo morto do não-nexo.
Responda a minha carta extraviada.

André Bianc

Sobre o amor.

São as Incidentais forças cognitivas,
o instinto indomável da perpetuação?
Ou irracionalidades incompreendidas,
dos incompatíveis sentidos opostos?

O amor, contraditórias convivências,
busca obstinada do querer no espelho,
das fátuas felicidades, puro hedonismo
E desencontrado no efêmero eterno.

Mas o inevitável sempre acontecerá:
O modelo perfeito, exato, imaginado
e rivalizado em certas expectativas.
Só os cães sabem o que é o amor.

André Bianc

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

No penhor das palavras

A irrefutável personalidade heteronímica,
bipolaridade sã do poeta não humano,
são racionalidades rebuscadas da razão,
de toda a essência implodida nos propósitos.

O desdém que detém o ser apenas comum,
na estável ignorância retilínea do óbvio,
incapaz do desdobramento que obstina,
as multi-mentes das grandes genialidades.

E nesta aventura oca da desesperada criação
onde habita a solidão concreta dos homens,
em incomunicáveis abismos sob nossos pés,
da intolerância inaudita das exatas palavras.

Acomoda-se então, a abissal não-ressonância,
eco morto de um débil pregador no deserto,
que recita elequente ao eu-poeta-demônio.
Precisei deixar minhas jóias no prego.

André Bianc

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Escrevi para ninguém.

A desilusão que tudo antecede,
no verso ainda sequer gerado,
provoca uma convulsão ocultista,
na lucidez dos amargos diálogos.

Busco a proposta vazia do tema,
resultante de vagas intuições,
que oprime o poeta desavisado,
pelas formas heróicas da obra.

E a irrelevância da qualidade proposta,
aliada das múltiplas subjetividades,
está na importância de apenas criar,
independente do medo instituído.

Ao fim, se tudo amanhã for deserto,
sobreviverá a poesia embalsamada,
na pirâmide, morta-viva e atemporal.
Leiam o livro que jamais escrevi.

André Bianc

Catharina , eu não sei.

Prefigurada do nexo imperfeito
e alheia aos acidentes do insucesso,
está a intenção, ação intempestiva,
que compõe o corpo-alma do verso.

Mutilações dos sentidos figurados,
a sucessiva progressão da não-palavra,
fotografias opacas de muitos dialetos,
mudos da indisciplinada e vaga razão.

E entre a estética e estilo severo,
dos rudes exércitos dos pensadores,
está a poesia que apenas observa,
a limitação ilimitada dos homens.

André Bianc

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Um cão latindo na rua

Incomparável a vã preponderância,
das forças egoístas do apego-irmão,
em vagas promíscuas do alheamento,
está a lógica implícita da indiferença.

Independente da incerteza crença,
das psiques das neutras incógnitas,
vem à tona o desafio da desconstrução,
no imaginário lúcido, assim percebo.

A singularidade dos frágeis homens,
no processo social do inútil triunfo,
dos cenários de vacuidades incapazes,
Que se expandem qual o macro universo.

E paralelo ao eu-lírico, observo,
as irregularidades da cega percepção.
Se o mundo é mesmo um implacável moinho
Porque não trituraram a nossa razão?

André Bianc

domingo, 15 de janeiro de 2012

Auto Insuficiência

Com a minha face fria e amassada,
acordo os meus precários dias cinzas,
nas frequências matinais dos acordes,
despertador desesperadamente mudo.

Na cabeceira, “A crítica da razão prática”,
faminto, comerei um Immanuel Kant,
toda a bandeja até a impossível digestão,
amanhã de certo, fezes e filosofia.

Confuso, clamo por aquele seu Deus vingativo,
que muitos, amam, louvam e sempre temem
e alheio a fé, a precisão e a filosofia, concluo:
não preciso de religião, eu sei pecar sozinho.

André Bianc

Pedaço da razão

Distantes das vontades tão simples,
a severa lucidez das duras sombras,
das incompreensões desumanas,
consultórios inquisitórios da mente.

Entrementes, a defesa apática e omissa,
abdicada da ironia cruel terapêutica,
princípios ativos da não discussão,
perene e vulnerável a divina luz.

Anjos-demônios de togas brancas,
paramentados de obscuras razões,
as sentenças injustas e peremptórias,
das perpétuas moléstias dos remorsos.

E veementemente a apelação vencida,
no movimento andante, ouçamos Bach...
Onde a condição humanista resiste,
em nossos ouvidos que olvidam o óbvio.

Distante das vontades tão simples
e encarcerado em celas da alienação,
eu que sou um doente sem cura?
Quero apenas um pedaço da razão.

André Bianc

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Timidez pré-esquizofrênica

Tensa e impecável a vã consciência,
verossímil delírio da alta violação,
no ortodoxo eixo do dedutível,
murmura a incoerência extinguida.

Fastio do mito-verme irracional,
transmutação do inatingível destino,
traduzido por um mudo ventríloquo,
poliglota de muitas perplexidades.

Neste subterrâneo que habitam os rumores,
das possessões involuntárias e ocultistas,
está a minha alma não-humana devassa,
nas variantes dos veredictos injustos.

Sejam auto-análises incidentais e nebulosas,
ou as seduções que transmudam os impulsos,
dos egocêntricos de inúmeras conjugações,
que agregam em mil sósias inquietos.

E minhas multidões, todas em uma só,
deliberadamente despejadas ao acaso,
das convicções incertas do pensamento.
Rasgarei minhas roupas inibitórias.

André Bianc

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Espasmos de estilos

Há um tempo raso de metáforas,
reprimido de tristezas fantasiosas
e veladas em espasmos da renúncia.
Fátua, eis as máscaras da ilusão.

Petulância não adaptada será a palavra?
Suscetível e vulnerável do poema...
Num estoicismo de cínicas confidências
e aliado das humanas intenções.

Crispado do mísero niilismo visceral,
num tímido rastro de pobres versos
e desconectados de quaisquer estilos,
casual, absurdo, vão e contraditório.

Eu, sem fisionomia, o anti-poeta,
fisiologicamente doce e tão banal
E ainda servo retrógado da anarquia.
Onde estarão os poetas do mau?

André Bianc

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A vela e a fome

Da irresponsabilidade textual,
eis o debate, ironias efervescentes,
depois a solidão, ânsias do abismo,
insubsistente alusão ao criador.

Foi-se o tempo da metáfora vadia,
a crença de nada querer apenas crer,
detonada na angustia desnecessária
e nas mentiras verdadeiras que somos.

Embalados nos berços vagos do mundo,
todos os sonhos ingênuos e primitivos,
pelas manhãs (sãs?) estarão urinadas,
as roupas íntimas das conclusões.

E todo o drama, estampado na toalha,
sudário de uma fome virtual e desejada,
viciada pelo ópio dos sentimentos vãos.
Quero apenas uma vela sem pavio.

André Bianc

Sono raso, sonho profundo

Uma conspiração prisioneira,
didatismo conflituoso, amém...
Desprezado, o esmo foi meu pai,
no visionário estábulo de ouro.

Equacionar a singular pluralidade,
nas hastes do ápice do desespero,
durante as exéquias soberanas
e nas precárias horas do nunca mais.

Vale despersonalizar o irrefutável?
Mero detalhe da agonizante palavra,
numa sonora e desafinada idéia,
Mínina diante de uma trajetória.

E as sombras na parede, sou eu?
Meu corpo jaz em cova das hipóteses,
vejo a minha fé, uma estátua de sal.
Traga-me uma taça vazia.

André Bianc

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O amargo de querer nada

Que vão para o bendito inferno atemporal,
Os noivos falecidos de mundos desiguais,
que na hora imprópria, senão abstrair-se,
nas poeiras mórbidas de festas tantas.

Nada falo, calo-me em débeis pensamentos,
uma garrafada nas cabeças ocas e opacas,
ou uma facada nos egos de ocorrências banais,
até causar a libido nos extraterrestres.

Então, faltou-lhe o vomito da viagem?
Ou o aroma fresco das flores dos velórios?
Nada escrito na lapide, eles são analfabetos,
sendo assim, não morrerei, preciso de luz.

E sentindo as náuseas do mundo infame,
Não rimarei com enxame de marimbondos,
pois na vida não a rimas, só o instante.
Transbordei o meu copo de angústias.


André Bianc

O Ruído patético

Até aqui, um fiasco de viagem,
uma perda de tempo impar,
tudo de hoje, regurgitado amanhã
e o mau hálito do sol permanece.

Descolado do poema vaga pela rua anônima,
o grande intelectual, “O catador de Latas”,
roupas sujas, pulgas e baratas, é de grife!
num universo de autopromoções.

E trancados aqui, patéticos caçadores,
a busca de luz, com suas falidas falácias,
ah! O ego inflado de flatulências raras.
Pior, eu me incluo nisso. Sou nada.

André Bianc

O acrobata ingênuo

Acorda, a noite começa a morrer,
uivos, dentes caninos ainda estão,
cravados em sua virgem jugular.
Todos os relógios inúteis na sala.

Exato é a acidez do nosso tempo,
nas folhagens da dialética atrofiada
e nos rumos tortuosos de uma vida,
que são bem maiores que todo o universo.

De resto, somos a complexidade do nada,
tragados pela força monótona do existir,
estereótipo do omisso, e outras vaidades,
humanóide encapsulados seremos.

Abriremos então, no pensar uma fenda,
imolaremos nossas almas filosóficas,
até quem sabe um outra nave surgir.
Na bandeja, dorme nossas saudades.

André Bianc